Escolas de Verão ao Redor do Mundo

 

Em diferentes países, estudantes e profissionais se reúnem para aprender, desenhar, construir e conhecer de perto as tradições arquitetônicas e construtivas de cada lugar.

 

Aprender arquitetura requer ir além das salas de aula da universidade e dos livros e tratados. Para quem deseja compreender a arquitetura tradicional, seus materiais, técnicas, formas e sua relação com os lugares, estar em contato direto com edifícios históricos, mestres de ofícios e diferentes tradições construtivas pode ser uma parte fundamental da formação. É nesse contexto que se inserem as Escolas de Verão promovidas pelo INTBAU — International Network for Traditional Building, Architecture and Urbanism. A organização internacional reúne estudantes, arquitetos, pesquisadores, artesãos, urbanistas e outros profissionais interessados na construção tradicional, na arquitetura e no urbanismo. Por meio de seus capítulos e organizações parceiras, o INTBAU promove programas educacionais em diferentes partes do mundo, oferecendo aos participantes a oportunidade de aprender sobre arquitetura tradicional diretamente nos lugares onde essas tradições se desenvolveram e continuam sendo praticadas.

 

O que acontece em uma Escola de Verão?

Cada escola possui seu próprio programa e abordagem. Algumas são voltadas principalmente ao desenho e à compreensão da arquitetura; outras incluem projetos, levantamentos, visitas de estudo ou atividades relacionadas aos ofícios tradicionais. Muito se pode dizer sobre uma escola de verão observando o lugar onde ela acontece. A programação pode reunir aulas, palestras, seminários, visitas a edifícios e cidades históricas, desenho arquitetônico, exercícios de projeto e oficinas práticas. Em determinados programas, os participantes também têm contato direto com técnicas como carpintaria, cantaria, alvenaria, trabalho em ferro, azulejaria e outros conhecimentos construtivos tradicionais.

 

Mostra de Desenhos, Escola de Verão Ibérica, 2025. Fonte: Ganna Ostapenko

 

Essa combinação entre conhecimento teórico e experiência prática é uma das características dessas iniciativas. Em vez de estudar a arquitetura tradicional apenas por meio de livros ou imagens, os participantes podem observar os edifícios, desenhá-los, compreender suas proporções, conhecer seus materiais e, em alguns casos, experimentar os próprios processos construtivos. As experiências também variam conforme o contexto. Uma Escola de Verão realizada na Itália pode ter como foco a obra de um determinado arquiteto ou período histórico, enquanto outra, realizada na França ou na Península Ibérica, pode abordar a arquitetura vernacular, os materiais locais, o urbanismo tradicional ou os ofícios de uma determinada região.

 

Onde acontecem?

As Escolas de Verão do INTBAU acontecem em diferentes países e são organizadas por diferentes capítulos e instituições parceiras da rede, como é o caso do IBAT aqui no Brasil. Nos últimos anos, foram realizados programas em países como França, Espanha, Portugal, Itália, Países Baixos, México, Bélgica, Áustria, Noruega, Finlândia, Estados Unidos, Catar, Quênia e Brasil, entre outros. A cada ano essa rede cresce e amplia as possibilidades de escolas ao redor do mundo. Essa diversidade é parte importante da experiência. Cada local apresenta uma tradição arquitetônica e construtiva particular, permitindo que os participantes conheçam diferentes maneiras de construir e de pensar a relação entre edifícios, cidades, cultura e território.

 

Escola de Verão Conques, França, 2026. Fonte: Pietra Viola Siquieroli

 

Como participar?

Não existe um único processo de inscrição para todas as Escolas de Verão. Cada programa possui seus próprios organizadores, datas, requisitos, valores, bolsas e procedimentos de candidatura. Por isso, quem deseja participar deve acompanhar os programas divulgados pelo INTBAU e consultar as informações específicas de cada escola. A organização também recomenda que os interessados acompanhem sua rede para receber informações sobre oportunidades educacionais. As escolas são destinadas a pessoas com diferentes formações e níveis de experiência. Assim, estudantes de arquitetura e áreas relacionadas, jovens profissionais, arquitetos, pesquisadores e pessoas interessadas nos temas da construção tradicional podem encontrar programas compatíveis com seus interesses.

 

E por que participar de uma Escola de Verão fora do Brasil?

Para estudantes e profissionais brasileiros, participar de uma dessas experiências pode representar uma oportunidade particularmente rica de formação e intercâmbio. A arquitetura tradicional brasileira faz parte de uma cultura construtiva própria, formada por diferentes influências, materiais, técnicas e conhecimentos locais. Ao mesmo tempo, muitas das questões relacionadas à tradição construtiva podem ser compreendidas de maneira mais ampla quando colocadas em diálogo com experiências de outros países.

Participar de uma Escola de Verão permite justamente estabelecer esse diálogo: conhecer outras tradições sem deixar de olhar para a própria. Além do aprendizado arquitetônico, essas experiências possibilitam o contato com estudantes e profissionais de diferentes partes do mundo. Os participantes passam a fazer parte de uma rede internacional de pessoas interessadas em arquitetura tradicional, criando oportunidades de colaboração, pesquisa e intercâmbio que podem continuar mesmo depois do encerramento do programa.

 

Brasileiros também fazem parte dessa rede

O Brasil integra a rede internacional do INTBAU por meio de nós do Instituto Brasileiro de Arquitetura Tradicional (IBAT). A presença brasileira nessa rede permite aproximar estudantes, profissionais e pesquisadores do país das iniciativas internacionais dedicadas à arquitetura tradicional.

 

II Escola de Verão IBAT, 2025. Fonte: Arquivo IBAT

 

Nos últimos anos, brasileiros têm participado de diferentes programas internacionais, levando suas próprias experiências e conhecimentos e, ao mesmo tempo, entrando em contato com outras tradições arquitetônicas e construtivas. Para o IBAT, incentivar essa participação significa também fortalecer a conexão entre o Brasil e a comunidade internacional dedicada à arquitetura tradicional. As experiências adquiridas nessas escolas podem contribuir para a formação de uma nova geração de profissionais mais familiarizados com o desenho, os materiais, os ofícios e os princípios que fazem parte das tradições construtivas. As Escolas de Verão podem ser uma oportunidade de aprender na prática, conhecer os processos construtivos, desenhar diretamente diante da arquitetura e compartilhar experiências com pessoas de diferentes países.

Para quem deseja seguir esse caminho, vale acompanhar os próximos programas e descobrir qual deles melhor corresponde aos seus interesses.

 

Para mais informações acesse a página oficial do INTBAU: https://www.intbau.org/info/education/programmes/ 

 

Sobre o autor:

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Departamento de Conteúdo | IBAT

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